Sympathy For The Devil
A fé ainda me mantém firme e decidida. As coisas boas vêm àqueles que esperam. Como minha mãe vive me dizendo “O que é seu está guardado!”. Porém as coisas que estão aqui, ali e acolá, apenas me lembram que cada uma terá seu dia exato para acontecer. Às vezes sou intoxicada pelos piores fantasmas, por pensamentos loucos, pela melancolia e pelo cansaço. Observo-os infiltrarem-se um a um. Eles tentam dizer que é tarde demais para mim. Que é melhor entregar os pontos e desistir do que foi conquistado. Mas, jurei a mim mesmo que vou viver para sempre. Já disse ao meu criador que Ele pode esperar. Sou forte. Não desistirei de lutar mesmo sendo procurada: viva ou morta. E quando precisar restabelecer as minhas energias, basta viajar para algum lugar ao sul do Céu. Basta caminhar a passos largos para os braços de quem amo.
E eu não culpo você por achar que esse mundo pode tornar má uma pessoa boa. Este mundo pode incitar os seus piores instintos, mas, no final, a loucura quem decide é você mesmo. É você quem define se transforma um assassino em um herói. Eu mesmo, eu me torno má e louca. Cada dia mais. Pois, eu nunca me imaginei entrando no Céu. Se o demônio fizer o que quiser, juro que vou viver para sempre. Quero apenas deitar o meu corpo no chão gelado. Num quarto barato de hotel. E imaginar que você, meu amor, dorme em uma cama de rosas. Mas… que no fundo mesmo, o seu desejo era o de estar deitado por cima do meu corpo, nesse mesmo chão, me possuindo de maneira intensa. A noite inteira. Todo dentro de mim. Forte. Pulsante. As suas roupas espalhadas pelo chão, junto com o que restou das ilusões da minha cabeça. Penetrando-me, como se fosse aplacar toda a sua e a minha dor naquele instante, como se não houvesse nada lá fora, nem o amanhã daqui a algumas horas. Pouco importando se o que estiver acontecendo é certo ou errado. Eu queria morrer de amor em seus braços. E assim, quem sabe os meus fantasmas iam embora?
Guardo uma prece que me ensinaram quando pequena. Eu a usarei quando precisar dela ao máximo. Para rogar ao Pai, Filho e o Espírito Santo. Sem assinar meu nome. Uma pecadora comum como outro qualquer. E no momento de encontrar meu criador… Será que ele fechará o livro da minha história? Com todos os belos e tristes momentos? Com todas as vezes que o meu coração foi partido? Ou que sonhei com um final feliz? Ou que não sonhei com final nenhum? Ou será que ele irá embora, pois será tarde demais para salvar minha alma? Ou porque tenho simpatia pelo diabo?
Uma vez me prometeram absolvição. Há somente uma solução para os meus pecados: eu tenho de encarar meus fantasmas. Eu tenho que encarar a mim mesmo. Sempre. E saber, sem nenhuma ilusão, que somente um de nós todos vai voltar para casa todas às noites.










