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Coletâneas do Cure não são mais cura para tua dor. Teus poemas têm erros de concordância e tua boca tem gosto de cereja. Seria melhor se teu gosto fosse de cerveja pra eu poder me embriagar em tua saliva e fazer disso um mero recurso literário sem valor. A arte é um esforço inútil e ser útil só é útil pra quem se preocupa com os ponteiros no relógio e os números nos calendários.Caminho quilômetros quando tenho saúde e sais de cobre nos dentes.Quero colorir meu ombro e quero que minhas calças sejam todas pretas e minhas camisetas com estampa amarela sejam vermelhas.Quero te conhecer, preciso de tempo, tenho que conseguir mais tempo, estou delegando tempo, compilando segundos, ampliando minutos e pensando mais rápido e agindo mais devagar, até porque assim dá mais tempo pra divagar.Tenho tempo, quero falar contigo, tenho que te ligar, quero te atender, te ouvir se espreguiçar, bocejar e rolar na cama lá do outro lado, naquela voz macia toda picotada por vento cor-de-mel. Não queria que o sol brilhasse por um tempo na minha casa, então mantive as cortinas fechadas. Mas teus olhos me mostram o sol e eu tenho agora que deixar a luz entrar. Eu quero agora deixar a luz entrar.Quero ainda poder, te dizer no ouvido improvisos que nunca dirás a ninguém e de que eu sempre me lembrarei, e de que tu sempre te lembrarás, e que servirá de água e alimento para a flor que eu guardei no meu peito para ti, e para aquela que plantei em teu sentimento com meu nome.Quero ainda poder descansar em paz, pois, depois da chuva, sempre sempre sempre vem o sol. Ainda que tímido e fraco, vem o sol. Recrio-te em mundos que invento ao meu bel-prazer. Nesses mundos eu ouço os sons verdes da minha infância e os sons azulados da minha juventude. Penso em doze dias na semana e sete meses de inverno. Quero mais tempo, preciso de mais tempo e de flores na minha janela. Colo, abraço e passeios matinais. Penso nas músicas de voz doce quando penso em ti. Acalmo os olhos no horizonte que parece infinito e penso artes pelos cantos do meu quarto. Sorrio.Invento-te em mundos que recrio, de meus dias de papel. Escrevo a minha história, lembro de horas, desenho novas nas minhas nuvens. Recebo ódio - falo, grito e tusso. Depois me camuflo e finjo que estou longe. Visto preto para queimar no sol e saio na chuva sem agasalho pra buscar o resfriado.Desenho-te em pranchetas que não existem, faço cada contorno, curva e suspiro real. Tatuo na pele nua e quente as letras do teu nome em código de barras, para que não sei. Grito, grasno, transpiro.Escrevo-te em poesias, quando penso que sou poeta e me engano pensando que sou sagrada. Quase sinto teu gosto quando te vejo sorrindo. Confundo meus olhos no teu passo manso indo embora, e desisto de imagens e ícones pelo simples prazer de te ouvir por algumas horas. Fatio-te, me perco, de propósito, em todos os meus atos. E minto pra mim mesmo que não é verdade. E minto que minto, pois meus atos são sempre sinceros. E passo horas imaginando frases ou jogos de palavras com a palavra “mentira”, só pra te fazer sorrir, dormir bem, te fazer pensar.Como um envelope, cheio de palavras pra você.Cheguei. Aliás, já estou lá há muito tempo. Esperando que a porta abra. Vou pensando e do jeito que me vem os pensamentos, te escrevo essas linhas. Penso em rosas, onças e vermelho tinto. Nada de novo. O meu dia me cansa, me diminui e me torna chata.Meus extensos desagravos desabafos sem fim sempre me causam determinado cuidado. Cuidado com o conteúdo, pois é raro.Sabe, tem dias em que todo o universo faz sentido, em todas as pequenas coisas que acontecem. Tem dias em que, voltando pra casa, caminhando pela rua de noite, as luzes da lua e do comércio são mais fortes que o teu desespero e tua falta de vontade. Tem dias em que teu dia se completa com um sorriso. Tem dias que o dia acaba tão cedo, apesar de acabar tão tarde.E eu mesmo pergunto, Por que não?
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Não há nada para se comemorar esse ano no meu aniversário (19.04).
[Recado direcionado]
Eu errei ontem, você também. Eu peço desculpas, você também?
Uma conversa meio estranha...olhares tristes me fazem pensar que não foi sempre assim.
Sentirei saudades tuas.
Adeus.








