sábado, 18 de abril de 2009

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Coletâneas do Cure não são mais cura para tua dor. Teus poemas têm erros de concordância e tua boca tem gosto de cereja. Seria melhor se teu gosto fosse de cerveja pra eu poder me embriagar em tua saliva e fazer disso um mero recurso literário sem valor. A arte é um esforço inútil e ser útil só é útil pra quem se preocupa com os ponteiros no relógio e os números nos calendários.Caminho quilômetros quando tenho saúde e sais de cobre nos dentes.Quero colorir meu ombro e quero que minhas calças sejam todas pretas e minhas camisetas com estampa amarela sejam vermelhas.Quero te conhecer, preciso de tempo, tenho que conseguir mais tempo, estou delegando tempo, compilando segundos, ampliando minutos e pensando mais rápido e agindo mais devagar, até porque assim dá mais tempo pra divagar.Tenho tempo, quero falar contigo, tenho que te ligar, quero te atender, te ouvir se espreguiçar, bocejar e rolar na cama lá do outro lado, naquela voz macia toda picotada por vento cor-de-mel. Não queria que o sol brilhasse por um tempo na minha casa, então mantive as cortinas fechadas. Mas teus olhos me mostram o sol e eu tenho agora que deixar a luz entrar. Eu quero agora deixar a luz entrar.Quero ainda poder, te dizer no ouvido improvisos que nunca dirás a ninguém e de que eu sempre me lembrarei, e de que tu sempre te lembrarás, e que servirá de água e alimento para a flor que eu guardei no meu peito para ti, e para aquela que plantei em teu sentimento com meu nome.Quero ainda poder descansar em paz, pois, depois da chuva, sempre sempre sempre vem o sol. Ainda que tímido e fraco, vem o sol. Recrio-te em mundos que invento ao meu bel-prazer. Nesses mundos eu ouço os sons verdes da minha infância e os sons azulados da minha juventude. Penso em doze dias na semana e sete meses de inverno. Quero mais tempo, preciso de mais tempo e de flores na minha janela. Colo, abraço e passeios matinais. Penso nas músicas de voz doce quando penso em ti. Acalmo os olhos no horizonte que parece infinito e penso artes pelos cantos do meu quarto. Sorrio.Invento-te em mundos que recrio, de meus dias de papel. Escrevo a minha história, lembro de horas, desenho novas nas minhas nuvens. Recebo ódio - falo, grito e tusso. Depois me camuflo e finjo que estou longe. Visto preto para queimar no sol e saio na chuva sem agasalho pra buscar o resfriado.Desenho-te em pranchetas que não existem, faço cada contorno, curva e suspiro real. Tatuo na pele nua e quente as letras do teu nome em código de barras, para que não sei. Grito, grasno, transpiro.Escrevo-te em poesias, quando penso que sou poeta e me engano pensando que sou sagrada. Quase sinto teu gosto quando te vejo sorrindo. Confundo meus olhos no teu passo manso indo embora, e desisto de imagens e ícones pelo simples prazer de te ouvir por algumas horas. Fatio-te, me perco, de propósito, em todos os meus atos. E minto pra mim mesmo que não é verdade. E minto que minto, pois meus atos são sempre sinceros. E passo horas imaginando frases ou jogos de palavras com a palavra “mentira”, só pra te fazer sorrir, dormir bem, te fazer pensar.Como um envelope, cheio de palavras pra você.Cheguei. Aliás, já estou lá há muito tempo. Esperando que a porta abra. Vou pensando e do jeito que me vem os pensamentos, te escrevo essas linhas. Penso em rosas, onças e vermelho tinto. Nada de novo. O meu dia me cansa, me diminui e me torna chata.Meus extensos desagravos desabafos sem fim sempre me causam determinado cuidado. Cuidado com o conteúdo, pois é raro.Sabe, tem dias em que todo o universo faz sentido, em todas as pequenas coisas que acontecem. Tem dias em que, voltando pra casa, caminhando pela rua de noite, as luzes da lua e do comércio são mais fortes que o teu desespero e tua falta de vontade. Tem dias em que teu dia se completa com um sorriso. Tem dias que o dia acaba tão cedo, apesar de acabar tão tarde.E eu mesmo pergunto, Por que não?

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Não há nada para se comemorar esse ano no meu aniversário (19.04).




[Recado direcionado]
Eu errei ontem, você também. Eu peço desculpas, você também?
Uma conversa meio estranha...olhares tristes me fazem pensar que não foi sempre assim.
Sentirei saudades tuas.
Adeus.

Tiras do Hagar
Clube da Mafalda

Eles tomam chá comigo...

Snoopy

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