
Dizem que essa música é suave. Dizem que meu sono é complexo. Dizem que o meu cabelo fica bem quando está curto e claro. Outros preferem ele comprido. Outros quando ele está molhado e entre os dedos amados. Quando me olham, dizem que sou grande. Quando me conhecem, dizem coisas agradáveis e nem sempre verdadeiras. Até que acaba. Dizem que essa música é linda. E me pedem um sorriso. Quando ele me beija. Quando a noite está acabando, pedem para eu ficar. E no outro dia me ligam. Dizem que querem me ver. Digo que escrevo, perguntam o que escrevo, respondo que leia os textos no blog. Então me respondem que meus textos sempre empolgam ou assustam, ou ambas as coisas, ou nada. Algumas chegam até a mim por eles, outras nem ligam se escrevo ou não, outras tentam vasculhar minha vida através dos meus textos e - é claro – há as que me geram palavras. As que não me geram palavras costumam dizer “fique só comigo”. As que realmente interessam ou me aceitam como sou ou se afastam – ou eu me transformo. Não sei o que acontece, mas pensei agora, não costumam se afastar não – eu é que estou sempre fugindo, e de repente mergulho. Por um olhar, um gesto, um detalhe – eu mergulho por uma pequena intensidade, a intensidade é compacta, grandes gestos não costumam dizer muito. Prefiro ser abraçada o tempo todo a ouvir mil eu te amos. Odeio frases – engraçado, não?
“Eu te amo, te adorei, você é linda, vamos sair, o que você acha?” Em geral as perguntas me desagradam. Diga – “estou passando aí agora”. E darei uma desculpa, caso não goste de você, ou terei um grande prazer – e até vou sentir, através das suas medidas, pele nova para carne macia. Mastigarei nossas diferenças todas e uma a uma, me envolvendo, suas manias e modo de ser. Seja meu texto, querido. Eu te escolho. Eu me entrego. Estou sentindo. Muito cedo para ser. Mais. Sim. Por enquanto é quase. Tudo seu. Nesse aqui pelo menos. Menos expectativas e mais nescau. Não espere muito. Sou quase sua.
Vivo a me infiltrar em poros alheios. Você lê em hebraico. Eu leio no ônibus. Dizem que dá dor de cabeça, ler no ônibus. Dizem que estou em outro mundo – e você? Está nesse… Dizem que eu preciso aprender a controlar os impulsos. A não sair me entregando como se baila ao vento. Mas, às vezes, eu não faço isso. Só quero estar em casa, com você em mim. O contraste. Dizem que eu beijo demais. Escrevo demais. Sou dramática demais. E se você me gera palavras… eu abraço essa música. E fico acordada a noite inteira se for preciso… apenas esperando você me ligar.








